Os JO de 2008 confirmam uma regra antiga: Em Portugal somos do 8 ou 80.
Antes eufóricos, agora quase depressivos.
Primeiro ganhavam-se medalhas a rodos, depois passamos a ser os piores do mundo.
Não tentando perceber onde está o exagero, há no entanto situações que se devem analisar.
Em vez de desculpas, era curioso obter algumas respostas, nomeadamente:
· Porque se queixam os perdedores (no judo) dos árbitros (ainda havemos de chegar “ao sistema”) quando já parecia evidente que o problema era outro?
· Porque é que tivemos azar nos sorteios (também no judo), quando os melhores éramos nós?
· Porque é que só nós (na vela) nos queixámos de uma câmara de filmar quando todos os outros estavam nas mesmas condições?
· Como é que alguém (no atletismo, 200 metros) que concorre aos JO “bloqueia um pouco com o estádio cheio” ou faz dos Jogos “uma boa experiência para os próximos campeonatos da Europa”?
· Como é que não se é “muito dada a este tipo de competições” (no lançamento do martelo), tendo lutado para lá estar?
· Como se suporta que alguém (no lançamento do peso) diga que “de manhã só é bom… dormir” (nem vale a pena link)?
· Como é que se desistem de provas (no atletismo, 5000 metros) para que se estabeleceram mínimos (e se receberam bolsas) dizendo que “as africanas são fortes, não vale a pena lutar contra elas” ou porque se acaba uma carreira (nos 200 metros)?
· Porque se pagam subsídios a esta gente? Porque vão atletas treinar para o estrangeiro, à custa de subsídios que se estendem aos seus treinadores… estrangeiros (deixando os treinadores nacionais, aqueles com que se conseguiram os melhores resultados, no desemprego)?
É melhor não continuar e procurar perceber estes pontos…
Entre as várias respostas que podem ser dadas, destaco duas explicações:
· Falta a alguns perceber que a “alta competição não é brincadeira nenhuma” e que não “basta fazer meia dúzia de provas, andar a receber e está feito”;
· “Se calhar temos facilidades a mais”.
Ironicamente, as respostas foram dadas pela Vanessa Fernandes, a única atleta que até agora ganhou uma medalha.
E, se na sua prova ela conquistou a medalha de prata, com a análise que fez da situação actual, merecia uma medalha… de ouro.
Em contrapartida, podia-se dar uma medalha de latão ao Sócrates.
Já que ele ficou comovido com as palavras do Obikwelu (que recebeu subsídios para treinar para uma prova que acabou por não querer participar), era mais uma possibilidade para perceber se ele não tem vontade de chorar com tudo isto…
Enquanto isso vamos acreditar que o hino ainda faz sentido.
Nota: Acabamos de perder mais uma possibilidade de obter um bom resultado. Desta vez, penso que não é desculpa se a Naide disser que teve uma infelicidade tremenda…basta ver os resultados da prova.

